Critica por favor o meu elevado ego

11 de Maio de 2012

todos os dias

João Oliveira @ 19:42

não sei saber se tu gostas de mim
ou se queres sequer gostar
nem sei ler os sinais que não sei se me envias
e eu sei lá se pensas em mim a cada momento que respiras
porque tu não sabes que é assim que eu vivo
contigo no pensamento e no coração
levo-te comigo na alma
todos os dias
é algo que não tem expressão

és tu o plural de mim
um nós que gostava de fazer nascer

e aqui me confesso
com a lua a olhar-nos
e as estrelas como testemunhas
eu não sei viver sem ti
mas tento sobreviver
todos os dias
na lonjura desta saudade que consome
e eu não sei matar esta fome
de querer estar contigo

todos os dias


categoria: poesia
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7 de Maio de 2012

rascunho (17)

João Oliveira @ 17:13

«há bocado não me deixaste acabar. estás mesmo bem?» a voz dela denotava genuína preocupação e ele não conseguiu não ser sincero com ela.

«claro que não está tudo bem. hoje acordei na cama de uma gaja que ontem não conhecia. todas as noites bebo até cair para o lado, a tentar afogar a minha consciência e não ter de pensar nela e ver se não dói tanto, nem que seja por uma noite só». de repente, as palavras começaram a sair-lhe, do peito, o mais sinceras possível.

«parece-te mesmo que está tudo bem comigo? ela mal me fala e eu não sei por que raio ainda me deixo afectar por isso. mas ela não reage ao que lhe escrevo, manda bocas sobre eu e ela para aqui e para ali mas não consegue dizer-me nada directamente. e eu chego à conclusão de que se calhar não estava assim tão errado e a decisão que tomei não foi tão errada quanto isso. se calhar, tenho mesmo razão quando penso que nunca fui mais do que um caso mais ou menos sério para ela, isto para usar as palavras que ela uma vez utilizou para descrever a nossa relação».





16 de Abril de 2012

em jeito de despedida

João Oliveira @ 8:28

“não se ama alguém que não…”

se sempre ouvimos as mesmas canções, sempre cantámos os mesmo versos, se tudo que estava escrito sempre traduziu o que sentíamos… por que razão estamos hoje tão afastados como no dia em que nos conhecemos?

há semanas que esta pergunta me queima a língua e é um sufoco na garganta. mas a verdade é que ao mesmo tempo deixou de ter sentido algum. se assim estamos foi porque assim o escolheste uma vez mais. e eu não vou cá para recolher os cacos de mais um desastre à beira de acontecer.

nunca de ti ouvi um “estás bem?” e sabe deus como teria ajudado e sabido bem que o tivesses dito. afastei-te numa noite em que estava fora de mim? era teu dever insistir como sempre fiz contigo até acabares por ceder e falar comigo.

disse-te uma vez que podia ser o teu melhor amigo ou o teu melhor amante, mas que essa decisão não cabia a mim tomar. hoje percebo que apenas queres um melhor amigo sem teres de dar muito em troca.

mas eu não funciono assim, lamento. por isso acredito que o papel que tínhamos a desempenhar na vida um do outro já está mais do que cumprido. eu sei que o meu está.

só levo comigo o lamento de não ter visto este dia chegar mais cedo. ou de o ter visto chegar cedo demais. esse e o de ter-te dado sempre mais do que recebi de ti. mas essa é uma sina que irá perseguir-me até ao final dos meus dias.


categoria: prosa video
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13 de Abril de 2012

sem título

João Oliveira @ 3:41

não quero mais esta vida de paixões desregradas e noites mal dormidas.

és tu que vais entrando e saindo da minha vida sem pedir licença ou deixar recado. vens nos momentos em que menos te espero e menos te quero, instalas o caos e vais-te sem olhar a estragos ou consequências.

e eu tento – sabe deus que tento – saber quem és tu por detrás dessa máscara com que me vais enganando. podes ser a rapariga mais bonita e ainda assim posso não conseguir reconhecer-te.

és tu que vais entortando as linhas em que tento escrever.

és tu a origem dos pesadelos que me atormentam à noite e me deixam acordado até ao raiar da aurora.

és tu quem me mata por dentro e destrói cada esforço que faço para regressar à minha velha glória.

como é que deixei que as coisas chegassem a este ponto?

quando foi que comecei a perder o controlo?


categoria: prosa
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21 de Março de 2012

sophia

João Oliveira @ 12:17

porque os outros se mascaram mas tu não
porque os outros usam a virtude
para comprar o que não tem perdão
porque os outros têm medo mas tu não
porque os outros são os túmulos caiados
onde germina cala a podridão
porque os outros se calam mas tu não
porque os outros se compram e se vendem
e os seus gestos dão sempre dividendo
porque os outros são hábeis mas tu não
porque os outros vão à sombra dosa abrigos
e tu vais de mãos dadas com os perigos
porque os outro calculam mas tu não.

sophia


categoria: poesia
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19 de Março de 2012

cronologia

João Oliveira @ 18:14

primeiro vais perdendo o sorriso, à medida que o encantamento que te fazia respirar todos os dias vai desaparecendo à frente dos teus olhos.

depois é o brilho no olhar, a chama visível do fogo que te ardia no coração que a indiferença foi apagando aos poucos.

finalmente, é o peso da solidão que te carrega o semblante e te verga a postura, desenhando linhas no teu rosto que antes o teu sorriso iluminava.


categoria: prosa
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14 de Março de 2012

inspiração (3)

João Oliveira @ 4:26

nego, nego veementemente
o verso que não quer deitar-se na folha em branco
e fazer-se amante.

nego, nego veementemente
a flor que não se deixa arrancar do chão
para morrer nas tuas mãos.

nego, nego veementemente
o pão que te falta
para caber no meu excesso.

nego, nego veementemente
a dor que insiste em assolar os teus dias
e curvar os teus ombros.

nego, nego veementemente
as águas que devastam as praças
de te encontrar.

nego, nego veementemente
o tempo que contou as vezes que não quis
perder-se em ti.

nego, nego veementemente
a mim
que não soube ver-me em ti.

nego, nego veementemente
o não
diante da doçura da entrega.

quero a soma dos contrários
a leveza da escolha
o alívio do sim.

:: giselle zamboni


categoria: inspiração poesia
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5 de Março de 2012

ponto alto

João Oliveira @ 3:53

tenho passado os últimos dias a tentar encontrar as palavras certas para passar para o papel o que tenho e quero dizer sem que as palavras pareçam ocas ou vulgares ou sem sentido mas a verdade é que não há grande coisa a fazer e insistir em torná-las perfeitas mais não vai fazer do que aumentar o sufoco que cresce dentro de mim.

e à medida que os dias vão passando vou tentando conter este impulso e esta vontade e esta urgência de falar contigo todos os dias. e enquanto o faço tento encontrar algo minimamente inteligente para te dizer e tudo — tudo mesmo — serve de pretexto para falar contigo.

e às vezes fico a pensar que só me apetece gritar do nada gosto de ti mas isso não pode ser porque — vejamos bem — não nos conhecemos assim tão bem embora haja pequenos detalhes em ti que me deixam completamente encantado e apenas estivemos juntos à conversa durante cinco breves minutos.

e se não foi mais tempo foi porque eu estava tão nervoso que não parava de pensar olha só no que tu te vieste meter, joão guilherme! e não estava à espera que lá estivessem também a tua avó nem o teu pai. por isso despedi-me atabalhoadamente e dei uma desculpa de que nem me lembro neste momento mas deve ter sido qualquer coisa de ridícula porque — sejamos sinceros — que raio tinha eu para fazer de tão importante às sete e um quarto da manhã?

e a questão que se coloca aqui é saber por que razão te digo que esse foi o ponto alto dos últimos tempos. porque como já escrevi ali em cima estava mesmo nervoso e ansioso por que aquele dia chegasse: apesar de ires embora para mais de mil quatrocentos e dezassete quilómetros de distância, era também o dia em que eu ia finalmente conhecer-te, a rapariga com quem gostava tanto de falar, aquela que sempre foi one of the boys e que normalmente só quer um amigo a quem dar aquelas típicas palmadas nas costas.

e isto mais não é do que o meu lado mais romântico — na mais pura acepção da palavra — a vir ao de cima porque depois volto a olhar para o que escrevi e percebo que estar a dizer-te isto se calhar — só se calhar! — não cabe na cabeça de ninguém.

finalmente, quando releio o que escrevi, cresce dentro de mim a vontade de rasgar as palavras escritas num assomo que só abranda quando penso calma, não há-de ser nada. e é mesmo isso, não há-de ser nada.

pronto, é isto. e muito mais. mas neste momento pouco mais que preste sai desta caneta e tu já esperaste tempo mais que suficiente para ficares a saber a minha definição de “ponto alto”.

perguntas tê-las-ás. e eu cá estarei para tas responder, se quiseres.


categoria: prosa
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2 de Março de 2012

a máquina parou

João Oliveira @ 6:30

às vezes a vida é mais do que as letras das músicas que cantas no karaoke e de que tanto gostas e que tanto te dizem. podem parecer letras bonitas cheias de amor e romance, mas a verdade é que mais não são do que gritos de desespero, de ajuda, de socorro a ecoar por cima de uma melodia criada para embalar a alma dos que ouvem mas não compreendem.

a máquina parou; deixou de tocar.


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1 de Março de 2012

gangsters das teclas

João Oliveira @ 5:23

as ameaças — ou promessas, como tu lhes chamas — são como as promessas de amor; são todas muito bonitas mas tens de as cumprir para significarem algo mais do que palavras vãs.

e se tu nunca cumpriste as tuas promessas de seres mais tolerante e de respeitares o espaço dela, que devo eu pensar sobre as pretensas ameaças que me diriges?

como uma vez aqui escrevi, “ninguém muda por ninguém, por mais genuíno que seja esse desejo ou por muito que o queira fazer. o que faz é alterar comportamentos, para agradar ao outro. com o tempo, torna-se impossível manter esse comportamento artificial, voltando gradualmente aos vícios antigos”. o tempo apenas se encarregou de fazer o seu trabalho e foste tu quem acabou por me dar razão.

não queria ler a mensagem que me enviaste. a início achei que isso seria perder o meu tempo e dar-te demasiada importância — importância essa que manifestamente não tens na minha vida, apesar de achares que ocupas o centro da minha atenção. e se é atenção que tu procuras, não sou eu que ta vou dar. não mais do que estas linhas que aqui te escrevo.

mas a curiosidade acabou por falar mais alto, confesso. e se estava à espera de ameaças de morte ou de esperas que me fizessem ter de estar constantemente a olhar por cima do ombro à espera de te ver (e aos teus muitos amigos) dobrar uma esquina, a verdade é que só me consegui rir quando li o que me escreveste. e não te respondi — nem vou fazê-lo — porque não quero ser mais indelicado do que o costume.

porque dizer “a próxima vez que mexeres com a minha vida estás literalmente fodido, garanto-te. e dou-te a minha palavra que não vais ficar nada bem tratado (…). isto não é uma ameaça, é uma promessa que te faço só a ti e acredita que gostava muito que me desses motivos para a cumprir. já não é a primeira vez que esteve para acontecer e acredita que esteve bem perto por minha parte e de algumas pessoas. no entanto, por respeito a pessoas que gostam de ti, a situação abafou-se” mais não são que palavras da boca para fora.

para finalizar, só tenho isto a acrescentar: eu não sou responsável pelas tuas crises de confiança e ciúmes e muito menos pelas tuas inseguranças. isso diz muito de mim — é quase um elogio que te sintas assim por minha causa, acredita — mas a verdade é que diz muito mais ainda de ti. basta pensares um bocado.

eu não perco tempo a falar da tua vida nem a saber a opinião que as outras pessoas têm de ti como tu fazes sobre mim e até a tua própria namorada — a minha própria opinião chega-me. e muito menos tempo tenho para perder com criancinhas que não sabem o que têm e que se preocupam mais com teorias da conspiração e a ver “adversários” e atrasados mentais em todo o lado do que em desfrutrar — e desperdiçar? — aquilo que têm.

tivesse eu mais tempo do que o que tenho e dedicá-lo-ia a muita coisa interessante que gostava de fazer e não faço por manifesta falta de tempo.


categoria: prosa
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